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19h36min, Sábado, 19 de Maio de 2012
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"Um povo de cordeiros sempre terá um governo de lobos".

Aloysio de Brito Vieira

De Corruptopedia

Arquivo:Aloysio de Brito Vieira.jpg
Aloysio de Brito Vieira

Nome Político: -

Nome Civil: Aloysio de Brito Vieira

[editar] Aloysio e o retorno ao Senado

Data: 28 de 06 de 2009

Casa de escândalos - Ex-diretor ainda dá as cartas no Senado

Na semana passada, o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia aparentemente jogou a toalha. Desgastado pela sucessão de escândalos envolvendo o seu nome e ameaçado de demissão, pediu licença de 90 dias para preparar sua defesa. No entanto, sua influência política na Casa que dirigiu por 14 anos não se esgotou nesse episódio.

Mesmo afastado, ele mantém pessoas de sua confiança alojadas nas principais áreas administrativas do Senado e na maioria dos gabinetes dos senadores. Essa rede de relacionamentos, montada cuidadosamente durante anos, permanece em setores importantes da Casa. O ex-diretor tem aliados em postos estratégicos de pelo menos 20 secretarias e subsecretarias.

Agaciel expandiu sua influência também pelos gabinetes dos senadores. Em 2003, o senador José Sarney (AP), em sua segunda gestão na presidência do Senado, deu poderes a Agaciel para nomear os chefes de gabinetes, e ele exerceu com desenvoltura essa atribuição. Pelos cálculos de funcionários que conhecem bem a estrutura do Senado, restariam 62 chefes de gabinetes, do total de 81, indicados pelo ex-diretor.

Enquanto estava no cargo, Agaciel se reunia periodicamente com um grupo que definia como sua equipe — incluindo chefes de gabinete indicados por ele — para se manter informado sobre o que acontecia nos escritórios dos senadores.

A Secretaria Especial de Editoração e Publicações, a famosa Gráfica do Senado, continua um reduto do ex-diretor. Dirigida por Julio Pedrosa, abriga antigos e muito próximos colaboradores do ex-diretor, além da própria mulher de Agaciel, Sânzia Maia. É na gráfica que está alojado, por exemplo, Luiz Augusto da Paz Junior, conhecido pelos senadores como um dos “agaciboys”, homens de confiança de Agaciel que, durante a sua gestão, ocuparam postos de chefia estratégicos.

Paz Junior é hoje diretor da Subsecretaria de Administração de Suprimentos, Matérias-Primas e Desenvolvimento Tecnológico — uma das divisões da Gráfica — e abriga sob o seu comando a mulher de Agaciel e outro escudeiro do ex-diretor: Aloysio de Brito Vieira.

[editar] Controle sobre verba indenizatória

Por meio de um ato secreto, Agaciel nomeou Vieira, em março de 2008, para fazer parte da comissão permanente encarregada de sistematizar as informações e documentos referentes às verbas indenizatórias dos senadores. Ele era diretor de Fiscalização e Controle do Senado, na época.

Em abril, o Ministério Público do Distrito Federal propôs à Justiça uma ação de improbidade administrativa contra Vieira e outros dois servidores do Senado, acusados de integrar uma quadrilha especializada em fraudar licitações e contratos de órgãos públicos, desbaratada em julho de 2006 na Operação Mão de Obra.

A ação e uma representação criminal na Justiça Federal estão em andamento. Vieira era secretário de Compras do Senado, quando ocorreram esses fatos. Deixou o cargo de diretor de Fiscalização e controle só em outubro passado.

Na Secretaria Especial de Informática, conhecida como Prodasen, estão alojados em postos importantes pelo menos dois homens de confiança de Agaciel. João Roberto Pereira de Baere Júnior ocupa o cargo de diretor de Consultoria, e Carlos Alberto Belesa Sousa é secretário de Controle e Execução; também é gestor de um dos contratos com empresas terceirizadas, alvo de recente auditoria do Senado, que encontrou diversas irregularidades. A própria mulher de Belesa, Gilvânia, e uma sobrinha de Agaciel foram contratadas por meio dessas empresas. Ex-vigilante, Belesa viu sua carreira decolar na gestão de Agaciel.

Os escândalos em série causaram reação da oposição, que, desde o início do ano, aponta Agaciel como o principal responsável pela caixa preta que é hoje o Senado. O senador Sergio Guerra (PE), presidente do PSDB, propõe que os ocupantes de cargos de chefia ponham seus cargos à disposição, para permitir uma reestruturação efetiva e o fim da influência de Agaciel.

— Todas as pessoas podem ser competentes e válidas, mas devem ser submetidas a uma avaliação neste momento. A atual estrutura não tem sentido técnico — afirma Guerra.

Já o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), avalia que o poder de Agaciel está se acabando: — Com tudo que aconteceu, não acredito (que mantenha influência). Ninguém quer se mostrar como amigo. Os amigos ou estão desalojados ou estão encolhidos pela vigilância que está em curso — disse.

Mas até na Diretoria Geral, antigo QG de Agaciel, ainda permanece alojado um dos seus mais fiéis escudeiros: Valdeque Vaz de Souza ocupa um cargo no gabinete e ganhou notoriedade recentemente com a descoberta de que a sua filha Lia havia sido lotada no gabinete de Demóstenes Torres (DEM-GO), por meio de um ato secreto, sem o conhecimento do senador. A revelação trouxe à tona um dos métodos adotados na gestão de Agaciel para nomear parentes, apadrinhados e fantasmas: a ocupação de vagas “esquecidas” na cota de cada senador.

A ex-mulher de Valdeque, Nileide Helena Vaz de Souza, também é funcionária do Senado. Está lotada na Secretaria de Informação e Documentação, como assistente do diretor.

Suspeito de fraudar licitações e acusado pelo Ministério Público de improbidade administrativa na Operação Mão de Obra, Dimitrios Hadjinicolaou, ex-diretor da Secretaria de Administração de Compras e Contratações de Serviços Públicos do Senado, integra o grupo de servidores que se manteve muito próximo do então diretorgeral.

Isso causou até um problema familiar. Dimitrios era genro da poderosa secretária-geral do Senado, Cláudia Lira, adversária de Agaciel na disputa interna do Senado.

Hoje, Dimitrios é chefe de gabinete administrativo da Secretaria de Estágios, para onde foi nomeado por ato secreto, em outubro de 2008, dois dias após ter sido exonerado do cargo de diretor da Secretaria de Obras. Recebe um extra de R$ 3,3 mil por essa função comissionada.

Para o novo diretor-geral, Haroldo Tajra, o fato de antigos aliados de Agaciel ainda ocuparem cargos de chefia não necessariamente desabona essas pessoas: — Muitas se vincularam profissionalmente ao ex-diretor e isso não é desabonador. O meu critério será da competência administrativa.

Fonte: Regina Alvarez em O GLOBO

[editar] O Operador do DEM

O Operador do DEM

Ligado ao partido, Aloysio de Brito Vieira comandava no Senado licitações investigadas pelo Ministério Público

por Mino Pedrosa, Sérgio Pardellas e Hugo Marques

Um processo de oito volumes que tramita na 12ª Vara Federal de Brasília, em segredo de Justiça, revela um personagem chave que começa a jogar luz sobre a caixa-preta em que se transformou a primeira-secretaria do Senado Federal, controlada há uma década com mão de ferro pelo antigo PFL, hoje DEM, responsável pela gestão de R$ 2,7 bilhões por ano. Trata-se de Aloysio de Brito Vieira, o “Matraca”, ex-presidente da Comissão de Licitação da Casa, que se tornou o operador de um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas que funciona com a conivência ou participação de alguns senadores do DEM. Na tarde da quinta-feira 9, ISTOÉ apresentou documentos a um dos cabeças da organização que revelou como funcionava o esquema. Para fazer parte do pool de fornecedores do Senado, empresas eram obrigadas a pagar uma propina que, dependendo do valor do contrato, poderia chegar a 30%. “Só a empresa Ipanema foi obrigada a pagar R$ 300 mil reais por mês para o primeiro secretário Efraim Morais”, contou. A Ipanema Empresas de Serviços Gerais de Transportes Ltda., que recebia cerca de R$ 30 milhões por ano pela terceirização dos funcionários da agência, jornal, rádio e TV da Casa, atuou no Senado até o final de março. Outras empresas como a Delta Engenharia Indústria e Comércio Ltda. e a Brasília Informática também teriam pago comissões a Efraim, segundo o participante do esquema.

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Primeiro-secretário desde janeiro de 2009, isolou Aloysio na gráfica, mas nomeou o primo dele como gestor de compras. MONTAGEM SOBRE FOTOS ROBERTO CASTRO, MURILLO CONST
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ROMEU TUMA. Foi primeiro-secretário entre 2003 e 2004 pelo DEM, quando Aloysio comandava as licitações. Hoje está no PTB. MONTAGEM SOBRE FOTOS ROBERTO CASTRO, MURILLO CONST
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Ex-presidente da Comissão de Licitação, está no Senado desde 1982 e é o personagem central do esquema. MONTAGEM SOBRE FOTOS ROBERTO CASTRO, MURILLO CONST
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Primeiro-secretário de 2005 a 2008, é acusado de ter recebido R$ 300 mil mensais de uma prestadora de serviços. MONTAGEM SOBRE FOTOS ROBERTO CASTRO, MURILLO CONST

Durante a gestão de Efraim à frente da primeira-secretaria, o dinheiro desviado chegava às mãos do senador por intermédio do assessor parlamentar Eduardo Bonifácio Ferreira. Era ele quem levava o pacote com a dinheirama até o gabinete do senador democrata. A importância de Bonifácio era tamanha que ele detinha a chave do gabinete do primeiro-secretário. Bonifácio chegou a ser filmado e fotografado pelo serviço de inteligência da Polícia Federal, a partir do circuito interno de câmeras do Senado. Mesmo depois de perder o cargo de assessor, ele continuou com a chave do gabinete. Segundo detalhou à ISTOÉ o integrante do grupo, os pagamentos mensais eram feitos em cima das faturas dos contratos. Assim que a fatura das empresas chegava ao banco, o percentual da propina era automaticamente retirado.

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Ministério Público cobra devolução de mais de R$ 36 milhões de Aloysio e outros participantes do esquema no Senado. MONTAGEM SOBRE FOTOS ROBERTO CASTRO, MURILLO CONST

Ligado ao senador paulista Romeu Tuma (que foi primeiro-secretário pelo DEM e hoje é filiado ao PTB), Aloysio entrou no Senado como servidor efetivo em 1982 e trabalhou no setor de compras e serviços a partir de 1999. Em 2003 deixou a área formalmente, mas continua a manter contatos com as empresas fornecedoras. Em março de 2008, Aloysio assumiu outra área sensível na Casa. Pelas mãos de Efraim, foi guindado à presidência da comissão encarregada de cuidar da verba indenizatória. Ali, atestou as suspeitas notas apresentadas pelos senadores. Este ano, em meio à crise em que mergulhou a Casa, Aloysio foi acomodado, por orientação do novo primeiro secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), numa pequena sala localizada na gráfica da Casa. Submergiu para sair dos holofotes. Mas o setor de compras pouco mudou de mãos. Sem alarde, seu sócio e primo Max Silveira Vieira foi nomeado por Heráclito na terça-feira 7, por meio do ato número 35 de 2009, para a Comissão de Gestão de Contratos.

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