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22h00min, Domingo, 5 de fevereiro de 2012
374 pessoas cadastradas "Um povo de cordeiros sempre terá um governo de lobos".
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Fernando Collor de Mello
De Corruptopedia
| Ordem | 36º Presidente (Brasil) |
| Período | 15 de março de 1990 – 2 de outubro de 1992 |
| Vice-Presidente | Itamar Franco |
| Predecessor | José Sarney |
| Sucessor | Itamar Franco |
| Nascimento | 12 de Agosto de 1949 Rio de Janeiro (RJ) |
| Falecimento | |
| Primeira-dama | Rozane Malta Collor |
| Profissão | Bacharel em Ciências Econômicas |
| Partido político | Partido da Reconstrução Nacional |
Fernando Affonso Collor de Mello (nascido em 12 de Agosto de 1949) foi presidente do Brasil entre 1990 e 1992, eleito pelo PRN, no segundo turno (contra o candidato Lula, com 32,75% (contra 37,86%), de um total de 66.166.362 votos. Na vida pública, já exerceu as funções de Deputado Federal, Prefeito de Maceió (capital de Alagoas)indicado pelo Governador Guilherme Gracindo Soares Palmeira, e eleito diretamente Governador do Estado de Alagoas. Também chegou a ser presidente, por um curto período, do clube de futebol CSA, da capital alagoana, Maceió. Antes de entrar na vida pública trabalhou como jornalista do Jornal do Brasil (entrando no jornal com a ajuda de Carlos Castello Branco), gerente do Fundo Oportunitty (em parceria com Ronaldo Cézar Coelho) e superintendente das Organizações Arnon de Mello, entre elas a TV, rádio e jornal Gazeta de Alagoas.
Quase desconhecido fora de Alagoas, em 1989 ele derrotou Luiz Inácio Lula da Silva em uma acirrada eleição presidencial - a primeira eleição livre no Brasil em muitos anos, superando uma vasta gama de candidatos das mais variadas correntes políticas, entre eles o trabalhista Brizola e o conservador Paulo Maluf. No último debate eleitoral, dias antes do pleito, ele apresentara ao público brasileiro uma manicure que acusou Lula de pedir o aborto de sua filha Lurian. Em contrapartida à imagem esquerdista de seu oponente e futuro presidente a partir de 2003, Collor exibia-se como um verdadeiro arauto da modernidade, em termos de comportamento, postura e política econômica. Imediatamente após tomar posse, Collor decretou o congelamento de milhões de poupanças, visando derrubar a inflação.
O primeiro presidente democraticamente eleito no Brasil desde 1960, e o mais jovem a assumir o cargo até hoje (40 anos), Collor elegeu como principal prioridade de seu governo a luta contra a inflação, que chegava a alcançar taxas de 25% ao mês. Suas medidas contra a inflação foram bastante radicais: o governo chegou a confiscar a poupança e as aplicações financeiras da população. "Sem dinheiro não há inflação" era o seu lema. Seu plano não funcionou, e a inflação nunca chegou a ser satisfatoriamente controlada durante todo o seu mandato.
Em que pesem as baixas taxas de crescimento do país durante seu mandato, alguns analistas econômicos passaram a reconhecer, com o passar dos anos, a importância de algumas das medidas econômicas tomadas pelo seu governo: uma maior abertura do mercado brasileiro à importação e exportação de bens e produtos, causada por um programa massivo de redução das alíquotas, da burocracia e da intervenção estatal no setor. O Governo Collor, historicamente, significou a adesão tardia do Brasil a um programa neoliberal de desenvolvimento inspirado nas políticas de Margaret Thatcher e Ronald Reagan e sistematizado no chamado Consenso de Washington, adesão esta que,iniciada por Collor, seria generalizada e aprofundada por seu sucessor Fernando Henrique Cardoso.Embora estas medidas tenham tido grande importância na posterior modernização do parque industrial brasileiro, há um consenso de que a crise política que dominou o governo Collor sobrepujou quaisquer benefícios destas medidas isoladas no desenvolvimento do país. Deve-se assinalar, no entanto, que os demais corifeus do neoliberalismo na América Latina - o presidente argentino Carlos Menem, o mexicano Carlos Salinas de Gortari e o peruano Alberto Fujimori - também realizaram governos caracterizados por acusações de corrupção e promiscuidade entre interesses públicos e privados.
Em 1992, Collor foi acusado de corrupção por seu irmão Pedro, o que gerou investigações lideradas pela imprensa e, posteriormente, pelo Congresso Nacional. Estas denuncias foram feitas a partir do desgaste de Pedro x Fernando. Fernando Collor tinha a intenção permitir que Paulo César Farias relançasse o jornal Tribuna de Alagoas, que serviria de apoio para seus objetivos políticos. Pedro como superintendente do Jornal Gazeta é contra a idéia, já que a Tribuna atuaria como concorrente da Gazeta. Fernando Collor ignora o irmão, que passa a se sentir desrespeitado. É importante salientar que segundo Pedro Collor, em seu livro "Passando a Limpo: a trajetória de um farsante" PC alémde ser um desafeto, era um homem perigoso. Por influência de Fernando, D. Lêda, matriarca da família Collor de Mello e acionista majoritária das Organizações Arnon de Mello, destitui Pedro Collor do cargo de superintendente logo após as denuncias a Veja. Em resumo, o que levou Pedro Collor a denunciar o irmão, parece ser o medo de perder o controle do grupo empresarial da família, crises com Fernando Collor que vinham des da juventude por causa da empresa da família e por medo do temperamento de PC Farias.
Segundo o jornalista brasileiro Boris Casoy, Collor, em 1992, tinha rompido com praticamente com toda a elite brasileira, enquanto Lula tem o apoio decidido das elites. Segundo Casoy: "os interesses dos grupos que permeavam os dois processos políticos eram opostos. O Collor havia desafiado os bancos, a FIESP, a indústria automobilística... Ele tinha contra si a elite brasileira. Aí apareceu o Pedro Collor, o motorista, e as coisas desandaram. Hoje, não há interesse da elite brasileira em prejudicar a administração do Lula".
A enxurrada de indícios de propinas e desvios de verbas públicas gerou amplas manifestações populares nas principais cidades do Brasil. As acusações envolviam o presidente Collor diretamente, bem como seu antigo tesoureiro de campanha, PC Farias. Em Outubro, o Congresso votou pela sua suspensão do cargo. Enquanto o processo de impeachment corria no Senado, Collor renunciou em 29 de Dezembro de 1992. Em entrevista dada à Rede Globo em 2005, Collor chegou a afirmar que seu desgosto à época foi tão grande, que ele chegou a pensar em se matar.
A partir de junho de 1992, começou a crescer uma mobilizaçao social de oposiçao a Collor , houve um grande engajamento juvenil justamente porque os jovens acreditavam que deveriam colocar-se contra o presidente Fernando Collor e toda a ordem de imoralidade estabelecida. Sem essa participação juvenil, sem o movimento dos "caras-pintadas" o afastamento de Collor provavelmente não teria ocorrido. As manifestações foram fundamentais para a queda do presidente. São justamente elas as responsáveis pela geração do “fato”, do elemento que desestabilizou o governo, que promoveu uma inversão na relação de forças e possibilitou o afastamento. Através dessa forte pressão popular os políticos, partidos e lideranças empresariais deixaram de apoiar o presidente e bandearam-se para o outro lado.
Devemos evitar a sedução imposta pelos esquematismos simplificados que, através do senso comum, produziram análises antagônicas acerca do movimento: de um lado aqueles que acreditam que os jovens eram, na totalidade, completamente politizados e que sozinhos derrubaram o presidente, a força dos jovens e do movimento estudantil acaba, nesse caso, sendo superestimada. Por outro lado, também devemos evitar tomar o movimento como desprovido de idealismo e coerência política, ou seja, um movimento criado e manipulado pelos meios de comunicação de massas e pelos grupos empresariais contrários ao governo Collor.
No início de setembro de 1992, o PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais) envolveu-se na defesa pelo voto aberto na sessão da Câmara, que viria a aprovar o afastamento de Collor, pois acreditavam que isso seria fundamental para a vitória do processo . Os empresários do PNBE, nesse momento, demonstravam uma grande preocupação com o “caos social” que, segundo eles, tinha grande possibilidade de ocorrer caso o impeachment não fosse aprovado. Dessa forma, além da possível indignação desse grupo de empresários com a corrupção; da desconfiança com os rumos da economia, existia, sobretudo, a pressão popular das ruas influenciando suas decisões. Principalmente, quando observamos que em reuniões anteriores, antes das grandes mobilizações, o PNBE mostrou-se contra o processo que descortinava-se.
Os políticos também foram motivados - mesmo que pensando em sua sobrevivência política - pela pressão popular. O estigma de votar contra o afastamento de um presidente corrupto e execrado pela opinião pública poderia inviabilizar candidaturas, especialmente aquelas envolvidas nas eleições municipais que iriam ocorrer quatro dias depois. Seria também um pesado fardo político para ser carregado por aqueles que tentassem a reeleição ao Congresso em 1994. Todos os deputados que eram candidatos a cargos municipais votaram pelo afastamento de Fernando Collor. Em São Paulo, um dos “caciques” do PDS, Paulo Maluf, antigo aliado de Collor, era candidato à prefeitura e acabou liberando sua bancada para votar a favor do impeachment. Apesar de tentar desvincular esse ato da eleição municipal, Maluf só rompeu, de fato, com o governo Collor em função da opinião pública. Inclusive, utilizou-se desse episódio para contabilizar votos, fazendo questão de posar como “cabo eleitoral” da campanha pró-impeachment. Os parlamentares do PDS ao declararem seus votos a favor do afastamento, em 29/09/92, deixaram claro que era uma “orientação” de Paulo Maluf, presidente do partido. Coincidência ou não, Paulo Maluf acabaria sendo eleito para seu primeiro cargo do executivo através do voto popular. Provavelmente em outras circunstâncias esse ato pela “ética”, de Paulo Maluf, não tivesse ocorrido.
Várias mudanças ocorreram também no calor da hora. Votos que eram contabilizados para o governo, subitamente, tornaram-se pró-impeachment. Dentre os deputados que votaram pelo afastamento, vinte e três eram contabilizados, pela Folha de S. Paulo , como contrários ao afastamento, de acordo com voto declarado ao jornal, pelos próprios parlamentares, dois dias antes da votação. Dois desses votos, talvez, merecessem um certo destaque: em primeiro lugar o deputado Onaireves Moura (PTB-PR), que dias antes havia organizado um jantar de desagravo ao presidente e posteriormente votou pela aprovação do impeachment. Em segundo lugar, demonstrando o completo isolamento do presidente, o voto de Cleto Falcão, ex-líder do PRN na Câmara e amigo íntimo de Collor.
Nesses casos, torna-se evidente que a manipulação não se deu pelos políticos sobre os "caras-pintadas”, mas sim o inverso. Ou seja, não foram as lideranças políticas, ou os partidos que envolveram a opinião pública. Mesmo demonstrando uma falsa ética e razões eleitoreiras, esses deputados, e tantos outros, foram obrigados a curvarem-se perante a opinião pública.
O “estímulo” definitivo para os parlamentares foi oferecido em 23/09/92, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que a votação para o afastamento do presidente Collor, na Câmara, seria através do voto aberto. Seria impossível, pois, a partir desse momento esquivar-se do “clamor popular”, da “voz das ruas”. Por sua vez, os meios de comunicação de massas também foram envolvidos por esse turbilhão de manifestações. “Collor também acha que a Rede Globo ao contrário do que ocorreu em 1984, na campanha pelas eleições diretas para a presidência da República, não pode mais manobrar o noticiário sob o risco de arruinar sua credibilidade”. Fica muito claro, nesse caso, que a Rede Globo viu-se obrigada a dar destaque às manifestações por uma imposição de mercado, invertendo a relação de poder. Acostumada a influenciar a opinião pública, a Rede Globo acabou sendo influenciada por ela. Indiretamente a Rede Globo, não se pode afirmar se propositalmente ou não, influência a opinião pública com a exibição da miniséire "Anos Rebeldes" a obra de Gilberto Braga, contava a história de jovens que engajavam-se na luta contra o regime militar autoritário outorgado em 1964.
Parece-nos que a UNE, assim como os meios de comunicação de massas, estiveram a reboque do movimento. No entanto, cabe ressaltar que a UNE - no 41° Congresso, em 1991 - já havia posicionado-se contra o governo Collor. O grande mérito da UNE - e das outras entidades estudantis - foi, realmente, perceber o momento oportuno que se vislumbrava no horizonte. Essas entidades organizaram as primeiras mobilizações e acabaram capitaneando a ansiedade que existia pela moralização na política. Na realidade as resoluções de 1991, de oposição ao governo Collor, só obtiveram êxito após as denúncias de corrupção divulgadas pela imprensa que, sem dúvida, foram fundamentais para dar tal amplitude ao movimento. A imprensa, quando da exploração dos temas relativos à corrupção, não tinha noção do combustível que viria a fornecer às mobilizações pelo impeachment. A UNE também não tinha idéia da forte adesão que ocorreria. Quando colocamos que a UNE e os meios de comunicação de massas estiveram à “reboque” do movimento é justamente nesse sentido, o movimento tornou-se muito mais extraordinário do que o esperado. Quando os jovens "caras-pintadas" saíram às ruas, em meados de 1992, não tinham, talvez, consciência da amplitude de seu movimento. Provavelmente, isso tenha sido um elemento inibidor e tenha reduzido a participação dos jovens no início do movimento. Sequer a UNE, que costumeiramente superestima a força do movimento estudantil, tinha idéia dos desdobramentos que estavam por vir. Apesar da possibilidade e da defesa do impeachment, eram poucos os que acreditavam no sucesso efetivo dessa proposta. Esses elementos são fundamentais para discutirmos a idéia de manipulação - difundida por parte dos meios de comunicação de massas e aceita pelo senso comum - que teria ocorrido sobre o movimento dos "caras-pintadas".
Na realidade, não acreditamos que isso tenha ocorrido, justamente pelo fato de que as grandes forças tidas normalmente como manipuladoras - mídia, empresários, políticos - estiveram sempre a “reboque” do movimento e não o inverso. Não restam dúvidas quanto à diversidade dos interesses em jogo, percebemos que partidos políticos, empresários, meios de comunicação de massas e grupos de opinião poderiam vir a lucrar com a queda de Collor.
No entanto, não devemos entender a sociedade de forma maniqueísta, onde o “bem” e o “mal” são absolutos e cristalizados. Não podemos aceitar o senso comum indicativo de empresários sempre “maus”, em sua essência, com atitudes, conseqüentemente, sempre más, em benefício próprio e visando o lucro. Parece-nos claro que a possibilidade de indignação com a corrupção não é exclusiva das camadas populares, que representariam o “bem”, o “puro”, a “vítima explorada”. Da mesma forma, não podemos aceitar a idéia de que os estudantes - e o restante da população envolvida nas manifestações - eram desprovidos de interesses e completamente “ingênuos” e passíveis de manipulação.
Os indivíduos que saíram às ruas pelo impeachment tinham, também, seu interesse: a queda do presidente Fernando Collor. Não seria, pois, necessário manipulá-los para isso, já existia um descontentamento e indignação com a situação. Além disso, devemos entender o meio de comunicação de massas como um instrumento extremamente complexo na formação da opinião pública, pois é composto de vários elementos. Assim como existe a orientação dos donos do meio, existem também as opiniões dos outros indivíduos envolvidos na produção e divulgação das notícias. Em síntese, não podemos continuar a pensar que os “maus” - empresários, mídia, políticos - estão sempre manipulando e explorando os “bons” e “ingênuos” - povo - pois isso leva a uma superficialidade analítica, além do que, reduz a importância da população nos processos históricos. Retira dos participantes sua “voz”, suas idéias, pois transfere seu discurso aos outros, àqueles que os manipulam.
Temos que levar em conta as especificidades de cada sujeito histórico envolvido no movimento e assim entendermos o que motivou a participação de cada um deles. Mas, acima de tudo, não podemos negar que o grande eixo responsável pela união de todos esses grupos foi, sem dúvida, a questão ética, que, por sua vez, não é exclusiva das classes populares ou dos grupos juvenis. A indignação com a imoralidade pode ser, e foi, comum a grande parte da sociedade. A essa questão ética - a corrupção envolvendo o presidente e grande parte de sua base de sustentação - devemos acrescentar a questão da legitimidade; a crise econômica; a composição partidária no Congresso; a campanha eleitoral de 1989; os meios de comunicação de massas.
Isso dá uma idéia da conjunção de parte dos fatores existentes e, principalmente, da complexidade do movimento. Quando pensamos no jovem e todas as suas peculiaridades, a complexidade torna-se ainda maior. Justamente por isso, tentamos ir além da análise superficial feita pelos meios de comunicação de massas, que não percebeu essa complexidade.
Não existe uma “juventude” única, mas mesmo sendo diferentes, as questões sociais, políticas, econômicas e éticas afetam a todos e geram formas de protesto distintas que, eventualmente, podem convergir. O “Fora-Collor” das passeatas, une-se ao “matei o presidente do Brasil” dos rapper’s e ao “Contra-Collor e quem entrar no seu lugar” dos punks. Apesar da diversidade de mensagens e formas de protesto, o elemento de união entre os vários grupos juvenis é a indignação e a sensação de traição, e mais, tal sentimento estendia-se por grande parte da população. Pobre ou rico, proletário ou burguês, intelectual ou analfabeto.
A partir do momento em que percebemos a existência de formas distintas de mobilização chegamos, necessariamente, à conclusão de que o movimento pela ética não acabou, na realidade transformou-se. Ele continuou envolvendo uma parcela da juventude e, em alguns momentos, assumiu características diferentes da original, como por exemplo, a Ação da Cidadania contra a Fome e pela vida, que buscou amenizar a “imoralidade crônica” da fome; ou os movimentos culturais na periferia que, através da música e/ou esporte, buscam recuperar jovens envolvidos com atividades ilícitas. A partir do momento em que percebemos essa mutação no movimento juvenil, descaracterizamos a idéia - que voltou a circular após 1992 - de que essa é uma geração alienada porque recusa-se a participar de eleições, não sabe em quem votar ou em quem votou. Devemos entender a recusa também como uma forma de participação que, aliada às outras formas apresentadas nesse trabalho, indicam que a juventude continua atuante. Todas as manifestações que ocorreram após 1992 - e não foram poucas - contribuíram para reforçar essa idéia e dão a dimensão da importância do movimento pelo impeachment como exemplo de luta e mobilização. Além dessa influência interna, o movimento dos "caras-pintadas" também serviu como exemplo para outros países, o que daria uma idéia da sua amplitude e importância na história do Brasil. “Foi um momento singular. Podemos comparar 92 a 68, teve repercussões internacionais. Na Venezuela o processo de impeachment do (presidente) Perez eles copiaram dos estudantes brasileiros, inclusive a ‘cara-pintada.’” Interessante notar, que o movimento dos "caras-pintadas" e o afastamento do presidente Collor foi apontado, também, pelos meios de comunicação de massas como exemplo para o afastamento do presidente da Venezuela, da Colômbia e, em 1997, do Equador. Devemos salientar que em cada um desses casos existiram características particulares. A singularidade dos países em questão impede uma generalização do processo, no entanto, é evidente que o afastamento de Collor serviu como exemplo, ao menos no seu aspecto legalidade/legitimidade, além de demonstrar a viabilidade real do impeachment.
Portanto, reduzir o movimento dos "caras-pintadas" a uma mera manipulação de interesses escusos de um ou outro grupo específico é uma temeridade. O movimento foi muito mais amplo que a soma de suas partes; muito maior do que seus líderes - grande parte deles surgidos no bojo do próprio movimento - imaginavam; muito mais profundo e complexo do que a mídia retratou e foi muito além do que gostariam grande parte dos partidos e políticos. Em suma, o movimento pela ética, pelo impeachment, foi muito maior que os interesses individuais. A questão ética juntamente com a legitimidade foram as responsáveis diretas e fundamentais para a eclosão do movimento. Sem essa conjunção de fatores as mobilizações, provavelmente, não teriam adquirido tamanha amplitude e, por certo, não obteriam mais do que uma nota de rodapé na história do Brasil.
Collor foi sucedido pelo seu vice-presidente, Itamar Franco. Em Dezembro de 1994, Fernando Collor foi absolvido das acusações de corrupção pelo Superior Tribunal de Justiça brasileiro, por cinco votos favoráveis e três contrários. Mesmo assim, continuou suspenso da vida pública por 8 anos.
Em 23 de junho de 1996, PC Farias foi encontrado morto em sua cama ao lado de uma amante, ambos assassinados a tiros, em circunstâncias até hoje não totalmente esclarecidas.
Collor foi acusado perante o Supremo Tribunal Federal do crime comum de formação de quadrilha, havendo sido absolvido por falta de provas. Collor foi absolvido de 103 acusações feitas contra ele.
Após o decurso da sua inelegibilidade, em 2000, Collor tentou concorrer à prefeitura de São Paulo, mas não obteve sucesso. Em 2002, ele concorreu ao governo de seu Estado, Alagoas, mas perdeu novamente. O êxito de Collor nas urnas de 2004 foi ter conseguido eleger o filho Fernando James(PRTB), vereador em Rio Largo, na grande Maceió.
[editar] Referências externas
- CONTI, Mário Sérgio. Notícias do Planalto: A imprensa e Fernando Collor. Rio de Janeiro: Compahia das Letras, 1999.
- COSTA, Gleiner Vinicius Vieira. "Brasil, Nova República e Imprensa. A ascenção e queda de Fernando Collor". Monografia de Conclusão de Bacharelado em História, Rio de Janeiro, Universidade Gama Filho, 2005.
- DIAS, Luiz Antonio “Plural e Singular: análise da mobilização pelo Fora-Collor” in Estudos de História. Franca, v. 11, n° 1, p. 141-165, 2004.
- DIAS, Luiz Antonio “Ética, cidadania e politização” in Revista Thot nº 78, Ed. Palas Athena, São Paulo, março/2003, p. 14-9.
- LATTMAN-WELTMAN, Fernando; CARNEIRO, José Alan Dias, RAMOS, Plínio de Abreu (Orgs). A imprensa faz e desfaz um presidente. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.
- Mello, Pedro Collor de. PASSANDO A LIMPO - A TRAJETÓRIA DE UM FARSANTE. Editora Juriscredi, 1993.
- Silva, Claudio Humberto Rosa. MIL DIAS DE SOLIDÃO: Collor Bateu e levou. Geração Editorial, 1993.
- Nicolau, Jairo (org.). Dados eleitorais do Brasil. Endereço Eletrônico: www.iuperj.br/

